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Semaglutida faz mal? Veja os efeitos colaterais e alertas da Anvisa

Semaglutida faz mal? Veja os efeitos colaterais e alertas da Anvisa

Semaglutida: efeitos colaterais, riscos e o alerta da Anvisa sobre perda de visão

A “febre da semaglutida” tomou conta do Brasil. O medicamento que começou como tratamento para diabetes tipo 2 virou sensação nas redes sociais como a “caneta emagrecedora” – prometendo perda de peso rápida e resultados impressionantes. Mas, como todo medicamento potente, a semaglutida não é isenta de efeitos adversos. E alguns deles são bem mais sérios do que o público imagina.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já emitiu alertas oficiais sobre riscos que vão desde complicações gastrointestinais até perda permanente da visão. Entender esses riscos é essencial para quem usa ou considera usar a semaglutida – especialmente diante do crescimento do uso off-label (sem indicação médica adequada) para emagrecimento.

O que é a semaglutida e por que ela é tão popular?

A semaglutida é um agonista do receptor GLP-1, uma substância que imita um hormônio natural do organismo responsável por estimular a liberação de insulina, reduzir o apetite e retardar o esvaziamento do estômago. Ela é comercializada no Brasil sob três marcas principais: Ozempic® (para diabetes tipo 2), Rybelsus® (versão oral para diabetes) e Wegovy® (aprovado para o tratamento da obesidade).

O mecanismo de ação é o segredo do seu sucesso – e também a raiz de muitos dos seus efeitos adversos. Ao retardar o esvaziamento gástrico e promover saciedade, a semaglutida ajuda na perda de peso, mas também interfere em funções digestivas e em outros sistemas do corpo.

Os efeitos adversos mais comuns: o preço gastrointestinal

Os efeitos colaterais mais frequentes da semaglutida são, de longe, os gastrointestinais. Isso porque o medicamento age diretamente no sistema digestivo, retardando o esvaziamento do estômago.

Como toda medicação, a semaglutida pode causar efeitos adversos e bastante comuns entre seus usuários. Dentre os principais, destacam-se os gastrointestinais, como náusea, vômitos e, mais raramente, a diarreia e constipação, que costumam ocorrer no início do tratamento ou após o aumento da dose.

Em estudos clínicos, a náusea afetou de 15% a 44% dos pacientes, dependendo da dose. Vômitos, diarreia e constipação também são comuns. Esses sintomas costumam aparecer no início do tratamento ou após o aumento da dose e tendem a diminuir com o tempo. No entanto, para algumas pessoas, eles são tão intensos que levam à desidratação e, em casos mais graves, a lesão renal aguda.

As principais causas de abandono do tratamento com semaglutida são justamente náuseas, vômitos e diarreias. Cerca de uma em cada dez pessoas apresenta problemas digestivos significativos.

O alerta da Anvisa: perda de visão repentina

Em junho de 2025, a Anvisa emitiu o Alerta GGMON 06/2025 sobre um efeito adverso raro, porém potencialmente irreversível: a perda súbita da visão.

O uso da semaglutida (Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®) pode causar, numa frequência muito rara, perda de visão repentina conhecida como neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIANA), podendo ser irreversível. A Anvisa solicitou a inclusão em bula do referido risco aos detentores de registro dos medicamentos. Os pacientes que apresentarem perda súbita ou piora rápida da visão durante o tratamento com semaglutida devem contatar o médico imediatamente. Se NOIANA for confirmada, o tratamento com semaglutida deve ser interrompido.

A NOIANA é uma condição em que o fluxo sanguíneo para o nervo óptico é interrompido, causando perda de visão indolor e repentina. Até 8 de junho de 2025, o sistema VigiMed registrou 52 notificações de suspeitas de distúrbios oculares relacionadas à semaglutida no Brasil, incluindo 4 casos de neurite óptica isquêmica, 9 de visão turva, 8 de comprometimento visual e 7 de cegueira.

O Comitê de Avaliação de Risco em Farmacovigilância (PRAC) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) também concluiu que a NOIANA é um efeito adverso muito raro da semaglutida, afetando potencialmente até 1 em cada 10 mil usuários. A Agência Europeia recomendou a atualização das bulas para refletir esse risco.

Risco durante anestesia e sedação profunda

Outro alerta importante da Anvisa, emitido em 2024, diz respeito ao risco de aspiração e pneumonia por aspiração durante procedimentos sob anestesia geral ou sedação profunda.

O uso de agonistas de receptor GLP-1 (semaglutida, liraglutida, tirzepatida e outros) associado à anestesia ou sedação profunda pode aumentar o risco de aspiração e pneumonia por aspiração. Como parte de sua ação farmacológica, os agonistas de receptores GLP-1 retardam o esvaziamento gástrico, aumentando o risco de aspiração associado à anestesia e à sedação profunda.

A aspiração ocorre quando alimentos ou líquidos são acidentalmente inalados para as vias aéreas em vez de permanecerem no estômago. Como a semaglutida retarda o esvaziamento gástrico, o estômago pode reter conteúdo por mais tempo do que o normal, aumentando o risco de aspiração durante a anestesia.

A Anvisa recomenda que profissionais de saúde questionem os pacientes sobre o uso desses medicamentos antes de procedimentos cirúrgicos e adotem medidas para garantir a ausência de conteúdo gástrico residual. Se você usa semaglutida e vai passar por uma cirurgia, é fundamental informar o médico anestesista.

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Outros efeitos adversos relevantes

Além dos riscos já mencionados, a semaglutida tem sido associada a outros efeitos colaterais que merecem atenção:

  • Queda de cabelo (alopecia): Relatos de perda capilar têm sido frequentes entre usuários.

  • Efeitos psicológicos: Ansiedade, depressão e alterações de humor foram relatados em alguns pacientes.

  • Pancreatite e obstruções intestinais: Esses são efeitos indesejáveis mais raros, mas já documentados.

  • Distúrbios menstruais: Alterações no ciclo menstrual também foram associadas ao uso do medicamento.

  • Hipoglicemia: Especialmente em pacientes que usam outros medicamentos para diabetes, a semaglutida pode causar queda excessiva da glicose.

  • Risco de câncer de tireoide: Embora estudos em animais tenham mostrado risco, até o momento não há evidência clínica consistente de aumento do risco em humanos. A contraindicação permanece para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide.

De 2020 até dezembro de 2025, foram notificadas 145 suspeitas de eventos adversos pelo uso dessas medicações no Brasil, incluindo seis suspeitas de mortes. A Anvisa investiga esses casos para avaliar a relação com o medicamento.

Quem não deve usar semaglutida?

A semaglutida tem contraindicações absolutas que devem ser rigorosamente observadas:

  • Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide

  • Síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2)

  • Hipersensibilidade conhecida ao fármaco

  • Gravidez

  • Diabetes tipo 1

Pacientes com gastroparesia, pancreatite ou doença renal grave devem usar o medicamento com acompanhamento rigoroso.

Informação é o melhor remédio

A semaglutida é um medicamento revolucionário para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Mas não é uma solução mágica – e não está isenta de riscos. Os efeitos adversos gastrointestinais são comuns, e os alertas da Anvisa sobre perda de visão e risco durante anestesia reforçam a necessidade de uso criterioso e acompanhamento médico rigoroso.

O uso indiscriminado da semaglutida, especialmente para perda de peso sem indicação adequada, expõe o paciente a riscos desnecessários. Se você considera usar ou já usa a semaglutida, converse com um médico de confiança, informe-se sobre os riscos e benefícios e nunca utilize o medicamento sem prescrição e acompanhamento.

Compartilhe este artigo com quem precisa saber. Informação de qualidade é a melhor forma de prevenção.

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