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Como saber se tenho hepatite? Sintomas e diagnóstico

como saber se tenho hepatite

Julho é o mês da conscientização sobre as hepatites virais. A campanha Julho Amarelo, instituída pela Lei nº 13.802/2019,foi criada para alertar a população sobre uma doença que, na maioria das vezes, não dá sinais – mas pode causar danos graves e irreversíveis ao fígado.

A pergunta que não quer calar é: como saber se tenho hepatite? A resposta direta é: só o exame de sangue pode dizer com certeza. Mas conhecer os sintomas de alerta e os fatores de risco é o primeiro passo para procurar ajuda e fazer o diagnóstico precoce.

O que é a hepatite e por que ela é tão perigosa?

Hepatite é o nome dado a qualquer inflamação do fígado. As formas mais comuns são causadas pelos vírus A, B, C, D e E. No Brasil, os tipos mais frequentes são A, B e C.

O grande problema das hepatites virais é que elas são, em sua maioria, infecções silenciosas. Isso significa que uma pessoa pode viver anos com o vírus sem apresentar qualquer sintoma. Enquanto isso, a doença vai lesando o fígado lentamente, podendo evoluir para quadros graves como cirrose e câncer de fígado.

Em 2023, o Brasil registrou mais de 28 mil novos casos de hepatites virais, sendo 56,7% de hepatite C e 35,4% de hepatite B. Milhões de pessoas no mundo podem estar infectadas sem saber – e é justamente esse o alvo da campanha Julho Amarelo: incentivar a testagem para que o diagnóstico chegue antes das complicações.

Os sintomas: quando o corpo dá sinais

Embora muitas pessoas não apresentem sintomas, principalmente nas fases iniciais, algumas podem manifestar sinais que merecem atenção.

Os sintomas mais comuns das hepatites virais incluem:

  • Cansaço extremo e fadiga
  • Febre baixa
  • Dor abdominal, principalmente do lado direito (onde fica o fígado)
  • Náuseas, vômitos e perda de apetite
  • Dor muscular e nas articulações
  • Urina escura (cor de Coca-Cola)
  • Fezes claras ou esbranquiçadas
  • Icterícia (pele e olhos com coloração amarelada)

Já outros podem apresentar sintomas como fadiga, cansaço extremo, febre baixa, dor abdominal – principalmente do lado direito, náuseas e vômitos, perda do apetite, dor muscular e nas articulações, urina escura, fezes claras esbranquiçadas e icterícia (pele e olhos com coloração amarelada).

O gastroenterologista Dr. José Marcos alerta que muitos desses sintomas são ignorados ou confundidos com gripe ou virose. “Quando não aparece urina escura e pele amarela, costuma-se diagnosticar como gripe ou virose”, explica. “Para diagnosticar as hepatites, é necessário fazer exames laboratoriais como as sorologias para hepatite e função hepática”.

O Manual MSD, uma das referências mundiais em medicina, acrescenta que os sintomas podem variar de leves e semelhantes a um resfriado até quadros que ameaçam a vida. Entre os sinais, estão também a perda de apetite, febre, vômitos e dor na região superior direita do abdômen. O amarelamento da pele e dos olhos pode durar de 2 a 4 semanas.

A lição aqui é: se você tem um ou mais desses sintomas, não espere eles passarem. Procure uma unidade de saúde.

Como saber se tenho hepatite? O diagnóstico

A única forma de saber com certeza se você tem hepatite é por meio de exames de sangue.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece testes rápidos para hepatites B e C, gratuitos e disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em locais de campanha. Esses testes são simples: uma pequena amostra de sangue da ponta do dedo, com resultado em até 30 minutos.

Se o teste rápido for positivo, o paciente é encaminhado para exames laboratoriais mais detalhados, como a sorologia e a carga viral, que confirmam a infecção e identificam o tipo de vírus.

O Ministério da Saúde reforça que a testagem é o primeiro passo para a cura. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de tratamento eficaz e de evitar complicações.

O diagnóstico das hepatites virais é feito por meio de exames simples de sangue que podem ser feitos nas unidades básicas de saúde (UBS).

Prevenção: vacinação e cuidados

Prevenir a hepatite é possível – e começa com atitudes simples.

O SUS oferece vacinas gratuitas contra a hepatite A e hepatite B. A vacina contra a hepatite B, em especial, é recomendada para todas as faixas etárias e está disponível nas UBSs.

Além da vacinação, outras medidas ajudam a reduzir o risco:

  • Uso de preservativo em todas as relações sexuais
  • Não compartilhar agulhas, seringas, alicates de unha, lâminas de barbear ou qualquer objeto perfurocortante
  • Buscar locais confiáveis para fazer tatuagens e piercings
  • Consumir água tratada e alimentos bem lavados (especialmente para prevenir a hepatite A)

A transmissão varia conforme o tipo de vírus:

  • Hepatite A: transmitida por água ou alimentos contaminados com fezes de pessoas infectadas.
  • Hepatite B: transmitida por contato com sangue ou fluidos corporais (sexo desprotegido, compartilhamento de agulhas, transmissão de mãe para filho).
  • Hepatite C: transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado (compartilhamento de agulhas, seringas e outros objetos perfurocortantes).
  • Hepatite D: transmitida por contato com sangue ou fluidos corporais; só ocorre em pessoas já infectadas pelo vírus da hepatite B.
  • Hepatite E: transmitida por água ou alimentos contaminados.

Tratamento: há cura?

Sim – e o tratamento é gratuito no SUS.

Para a hepatite C, a notícia é excelente: a doença tem cura. O tratamento é feito com antivirais de ação direta (DAA) , medicamentos modernos, totalmente orais, com poucos efeitos colaterais e disponíveis gratuitamente no SUS para todas as pessoas infectadas, independentemente do grau de lesão no fígado. A taxa de cura pode ultrapassar 95%.

Não só tem cura, como o tratamento também está disponível de forma gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, as terapias são mais potentes, com menos efeitos colaterais e estão disponíveis para todas as pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C (HCV), independentemente do grau de lesão do fígado.

A hepatite A geralmente se resolve sozinha com repouso e cuidados, sem evoluir para a forma crônica. Já a hepatite B não tem cura, mas tem tratamento para controle da doença e prevenção de complicações.

O coordenador médico João Renato Rebello Pinho explica que, após o diagnóstico, o paciente é encaminhado para tratamento gratuito no SUS, “onde recebe medicamentos antivirais de ação direta, capazes de curar a infecção e impedir a progressão da doença”.

Conclusão: a hora é agora

O tema da campanha Julho Amarelo 2025 foi “A Hora é Agora”. E não poderia ser mais adequado.

As hepatites virais são doenças silenciosas que podem causar danos graves ao fígado. Mas com informação, prevenção, vacinação e diagnóstico precoce, é possível evitar complicações e, no caso da hepatite C, até mesmo eliminar a doença.

Se você tem fatores de risco – como ter feito tatuagens ou piercings em locais sem procedência, ter compartilhado agulhas ou objetos perfurocortantes, ter tido relações sexuais desprotegidas ou simplesmente nunca ter feito o teste – procure uma Unidade Básica de Saúde. O teste é rápido, gratuito e pode salvar a sua vida.

A informação é a melhor vacina contra o medo e a desinformação. Compartilhe este artigo com quem você conhece. A hora de agir é agora.

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