SUS adota novo exame para rastrear câncer colorretal: entenda como funciona o teste FIT
O câncer colorretal – que afeta o cólon e o reto – é o segundo tipo mais incidente no Brasil, atrás apenas dos tumores de pele não melanoma. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam 53,8 mil novos casos por ano no país entre 2026 e 2028. O dado mais alarmante, porém, é outro: cerca de 80% dos casos são diagnosticados em fase avançada, quando as chances de cura são muito menores.
Para mudar essa realidade, o Ministério da Saúde acaba de dar um passo decisivo. A partir de agora, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal em pessoas sem sintomas. O anúncio foi feito em maio e a portaria foi publicada no Diário Oficial da União em 10 de agosto, entrando em vigor imediatamente.
O que é o teste FIT e como ele funciona?
O FIT é um exame de fezes que detecta pequenas quantidades de sangue oculto – invisíveis a olho nu – que podem ser sinal de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.
A grande novidade em relação aos exames antigos é a tecnologia: o FIT utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano, o que aumenta significativamente a precisão do teste. O exame antigo detectava apenas a substância vermelha do sangue, o que exigia que o paciente evitasse alimentos com pigmentação vermelha – como frutas, legumes e corantes – para não gerar resultados falso-positivos.
O paciente recebe um kit para coleta em casa, retira uma pequena amostra das fezes com uma haste própria e a coloca em um tubo coletor. O material é então enviado para análise laboratorial.
Vantagens do novo exame
O FIT traz uma série de benefícios em relação à colonoscopia – que era, até então, o principal exame para detecção de problemas no intestino:
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Não exige preparo intestinal – o paciente não precisa fazer a temida “limpeza” do intestino com laxantes.
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Não requer dieta restritiva – é possível comer normalmente antes da coleta.
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Pode ser feito com apenas uma amostra – diferente de exames anteriores que exigiam múltiplas coletas.
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É menos invasivo – não há necessidade de sedação ou introdução de equipamentos no corpo.
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Tem maior adesão da população – justamente por ser mais simples e confortável.
Segundo o Ministério da Saúde, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.
O que diz o especialista:
“Existia um teste anterior que detectava apenas a substância vermelha do sangue. Por isso, era necessário evitar alimentos com pigmentação vermelha, como algumas frutas, legumes e corantes, o que gerava muitos resultados falso-positivos”, explica o médico Olival de Oliveira Jr., presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).
Quem pode fazer o exame?
O teste é destinado a homens e mulheres assintomáticos com idade entre 50 e 75 anos. A portaria estabelece que o procedimento é exclusivamente para “rastreamento bienal de pessoas assintomáticas” – ou seja, deve ser feito a cada dois anos, e não para investigação diagnóstica de quem já tem sintomas.
Pessoas com sinais visíveis, como sangramento nas fezes, dor abdominal intensa ou alterações no hábito intestinal, devem ser encaminhadas diretamente para avaliação médica e realização de exames específicos.
E se o resultado for positivo?
Caso o teste FIT identifique sangue oculto nas fezes, o paciente é encaminhado para uma colonoscopia. A colonoscopia é considerada o padrão-ouro para avaliação do intestino, pois permite visualizar diretamente o cólon e o reto e, se necessário, retirar pólipos durante o próprio procedimento.
Uma das grandes vantagens do novo protocolo é justamente reduzir o número de colonoscopias desnecessárias – o exame só será indicado para quem realmente tem alteração no teste FIT.
A visão do Ministério da Saúde:
“Estamos anunciando a primeira política de rastreamento do câncer colorretal no nosso sistema. Baseados na pesquisa e na evidência, começaremos uma estratégia de detecção baseada na atenção primária, com exame fecal e apoio de centros especializados em imagem e colonoscopia, se necessário”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O impacto para o Brasil
A nova política de rastreamento pode beneficiar mais de 40 milhões de brasileiros. É a primeira vez que o SUS terá um plano estruturado e organizado para o rastreamento do câncer colorretal.
O câncer colorretal é uma doença que, quando diagnosticada precocemente, tem altas taxas de cura. O problema é que, na maioria das vezes, os tumores crescem silenciosamente, sem causar sintomas até que estejam em estágio avançado. O rastreamento populacional – como o que o SUS está implementando agora – é justamente a estratégia para identificar a doença antes que os sintomas apareçam.
O que você pode fazer agora?
Se você tem entre 50 e 75 anos e não apresenta sintomas, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima e pergunte sobre o rastreamento do câncer colorretal. O exame é gratuito, simples e pode salvar vidas.
E se você tem menos de 50 anos, não se descuide: hábitos saudáveis – como alimentação rica em fibras, prática regular de atividade física, manutenção do peso adequado e redução do consumo de carnes processadas e álcool – são fundamentais para reduzir o risco.
O diagnóstico precoce salva vidas. E agora, com o novo teste FIT, o SUS dá um passo importante para que mais brasileiros tenham acesso a esse direito.
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