Coca-Cola Zero faz mal à saúde? Entenda mais sobre o aspartame
Bebida que substitui açúcar por edulcorantes é alvo de polêmicas nas redes. Enquanto órgãos reguladores consideram o consumo seguro dentro dos limites, novos estudos acendem alertas sobre o uso excessivo.
A Coca-Cola Zero virou presença garantida na mesa de quem quer evitar o açúcar, mas não abre mão do sabor do refrigerante. Lançada há quase 20 anos como alternativa à versão tradicional, a bebida ganhou fama de “menos pior” – mas também coleciona críticas. Nas redes sociais, vídeos que circulam aos milhões afirmam que o produto “é puro veneno”, que “dá pico de insulina” ou que “uma lata equivale a cinco normais”.
Será que algum desses mitos tem respaldo científico? E o aspartame, um dos edulcorantes usados na fórmula, realmente representa um risco?
O Curiosaúde analisou o que dizem órgãos reguladores, estudos recentes e especialistas para responder à pergunta que não quer calar: afinal, Coca-Cola Zero faz mal?
Zero x normal: o que muda na fórmula?
A principal diferença entre a Coca-Cola Zero e a versão clássica está na substituição do açúcar por edulcorantes. Enquanto o refrigerante tradicional leva cerca de 10 colheres de chá de açúcar por lata, a versão zero utiliza uma combinação de aspartame, ciclamato de sódio e acessulfame-K.
Esses compostos são centenas de vezes mais doces que a sacarose, mas têm baixíssimo valor calórico e não elevam a glicose no sangue. Por isso, são amplamente usados em produtos destinados a pessoas com diabetes ou em dietas de restrição calórica.
Mas o fato de não ter açúcar não significa que possa ser consumido sem critério. “A água continua sendo a melhor opção”, resume a nutricionista Lilibeth Teixeira, em entrevista ao portal de fact-check Viral. “Não é porque não faz mal que faz bem.”
O mito do pico de insulina
Um dos boatos mais persistentes é que a Coca-Cola Zero provocaria uma alta na insulina, mesmo sem elevar a glicose. A teoria, não confirmada, é usada para afirmar que o refrigerante “engordaria mais que o normal”.
O nutricionista Adrián Muria colocou essa hipótese à prova. Em um teste ao vivo com medidor de glicose, ele bebeu Coca-Cola Zero em jejum e registrou a reação do corpo. Resultado: os níveis de açúcar no sangue não subiram – caíram ligeiramente, comportamento esperado durante o jejum.
“Nem engorda nem sobe a insulina”, concluiu Muria. O vídeo, que viralizou, ajuda a derrubar um dos principais mitos sobre a bebida.
Afinal, o aspartame é seguro?
O aspartame é um dos ingredientes mais estudados da indústria alimentícia. Ele é aprovado por agências como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) e o FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos.
Essas entidades definem uma Ingestão Diária Aceitável (IDA) de 40 miligramas por quilo de peso corporal. Para um adulto de 70 kg, isso equivale a cerca de 22 latas de Coca-Cola Zero por dia, todos os dias, ao longo da vida.
“É um valor muito acima do consumo típico, o que reforça a segurança dentro de uma alimentação variada”, explica a nutricionista Lilibeth Teixeira.
Quando o consumo vira preocupação
Mas nem tudo são flores. Embora as agências reguladoras classifiquem o aspartame como seguro, a ciência segue investigando possíveis efeitos em cenários de consumo elevado ou em grupos específicos.
Estudos recentes indexados no PubMed acenderam alertas. Uma revisão publicada em 2025 sobre efeitos neurocognitivos sugeriu que o consumo excessivo de aspartame pode estar associado a alterações na microbiota intestinal e a processos inflamatórios em modelos animais. Outra pesquisa, de 2024, apontou possíveis efeitos na inflamação da microglia, células do sistema nervoso central.
Os autores destacam que os resultados são preliminares e feitos em sua maioria com animais. Mais estudos em humanos são necessários para confirmar os achados.
Quem deve evitar?
Há grupos que realmente precisam ficar longe da Coca-Cola Zero. O principal deles é o das pessoas com fenilcetonúria (PKU), uma condição genética rara que impede o metabolismo da fenilalanina, um dos componentes do aspartame. Por isso, os rótulos trazem a advertência obrigatória: “Contém fenilalanina”.
Além disso, pessoas com síndrome do intestino irritável ou sensibilidade a edulcorantes podem sentir desconfortos como gases e distensão abdominal. O consumo em excesso também pode sobrecarregar os rins, embora isso seja raro em indivíduos saudáveis.
Veredito: pode tomar, mas com moderação
A Coca-Cola Zero não é um veneno, mas também não é um alimento funcional. Para a maioria das pessoas saudáveis, consumir uma lata por dia, dentro de uma dieta equilibrada, não representa risco à saúde com base nas evidências atuais.
O problema surge quando ela substitui a ingestão de água ou se torna o principal líquido do dia. Nesse caso, mesmo sem açúcar, o consumo excessivo de edulcorantes e aditivos químicos pode trazer efeitos indesejados, especialmente para a microbiota intestinal.
A lição que fica é a mesma que vale para quase tudo na alimentação: o que faz mal não é o produto em si, mas o desequilíbrio. E, se a ideia é saúde de verdade, água, chás e água com gás e limão continuam sendo os campeões.
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