Como estudar para o vestibular sem descuidar da saúde
Conciliar horas de estudo com uma vida saudável parece um desafio quase impossível para quem está na reta final dos vestibulares. O dilema é conhecido: estudar mais ou descansar? Revisar um conteúdo extra ou dormir cedo? O fato é que, sem equilíbrio, o desempenho cai. A ciência já mostrou que corpo e mente caminham juntos, e que negligenciar um deles pode custar caro na hora da prova.
Neste artigo, vamos explorar como estudantes podem cuidar do sono, da alimentação, da atividade física e da saúde mental enquanto se preparam para os exames. A ideia não é trazer fórmulas prontas, mas oferecer curiosidades embasadas que mostram como pequenos ajustes podem fazer toda a diferença.
O sono como seu maior aliado
Um dos primeiros sacrifícios de quem estuda para o vestibular costuma ser o sono. Mas essa estratégia é um tiro no pé. Enquanto dormimos, especialmente durante as fases de sono profundo e REM, o cérebro consolida a memória e organiza as informações aprendidas ao longo do dia. Ou seja, virar noites revisando pode parecer produtivo, mas reduz a capacidade de reter conhecimento.
Segundo a National Sleep Foundation, jovens adultos devem dormir entre 7 e 9 horas por noite para manter o funcionamento cognitivo ideal. Além disso, estudos mostram que até pequenas restrições de sono já prejudicam o raciocínio lógico e a tomada de decisão — habilidades essenciais em provas de longa duração.
Praticar a chamada higiene do sono é simples e pode ser decisivo: evitar telas antes de dormir, manter horários regulares e preparar um ambiente escuro e silencioso ajudam a melhorar a qualidade do descanso.
O papel da alimentação na concentração
Pouco se fala, mas a dieta de um vestibulando pode determinar a energia e o foco durante os estudos. O cérebro consome cerca de 20% da energia total do corpo, e precisa de combustível de qualidade. Carboidratos complexos, como arroz integral e aveia, liberam energia de forma gradual, evitando picos e quedas de glicose que geram cansaço.
Alimentos ricos em ômega-3, como peixes, nozes e sementes de linhaça, estão associados a melhor desempenho cognitivo e memória. Frutas e vegetais coloridos fornecem antioxidantes que combatem o estresse oxidativo — um inimigo silencioso de quem está sob pressão.
Em contrapartida, ultraprocessados, bebidas açucaradas e o excesso de cafeína atrapalham. A cafeína em doses moderadas pode ajudar na concentração, mas, em excesso, gera ansiedade e insônia, comprometendo o ciclo de aprendizado.
Para quem passa o dia todo estudando, vale preparar lanches rápidos, como frutas, iogurte natural e oleaginosas. São opções práticas que mantêm a energia sem pesar.
Exercícios físicos como combustível mental
Estudos comprovam que a prática regular de atividade física melhora não apenas a saúde do corpo, mas também o desempenho acadêmico. Exercitar-se aumenta a circulação sanguínea no cérebro, estimula a liberação de endorfinas e reduz o estresse.
Isso não significa que o vestibulando precise gastar horas na academia. Pequenas pausas ativas ao longo do dia já ajudam. Caminhar dez minutos, fazer alongamentos ou subir escadas são atitudes simples que reduzem a tensão muscular e aumentam a disposição.
Além disso, atividades aeróbicas como corrida ou bicicleta, quando praticadas regularmente, favorecem a neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de criar novas conexões, essencial durante períodos de intenso aprendizado.
Saúde mental: o fator esquecido
A ansiedade é um dos maiores obstáculos na jornada para o vestibular. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil está entre os países com maior prevalência de transtornos de ansiedade, e jovens em idade de vestibular estão especialmente vulneráveis.
Cuidar da saúde mental deve ser prioridade. Técnicas de respiração profunda, meditação guiada ou até breves pausas para ouvir música podem ajudar a controlar o estresse. Outra estratégia é manter um hobby, mesmo que por poucos minutos ao dia. O lazer não é perda de tempo: ele recarrega a mente para enfrentar as horas seguintes de estudo.
É importante também ter um sistema de apoio — família, amigos ou professores. Conversar sobre angústias e dificuldades pode aliviar a pressão e reduzir o risco de crises na véspera da prova.
Organização: menos é mais
Muitos estudantes acreditam que estudar mais horas garante melhores resultados, mas não é bem assim. O que importa é a qualidade do estudo. Técnicas baseadas em evidências, como o método Pomodoro (ciclos de foco e pausa) ou a revisão espaçada (relembrar o conteúdo em intervalos programados), aumentam a retenção sem exigir esforço desnecessário.
Outra dica é organizar a rotina de forma que inclua horários fixos para dormir, se alimentar e até descansar. A disciplina gera previsibilidade, o que ajuda a reduzir a ansiedade. Mais importante do que “matar” uma matéria por vez é manter constância ao longo das semanas.
Curiosidade: dormir pode ser mais útil que revisar
Uma pesquisa publicada na revista Nature mostrou que estudantes que dormiram bem na noite anterior a uma avaliação tiveram desempenho significativamente melhor que aqueles que sacrificaram o sono para revisar. Isso revela uma curiosidade contraintuitiva: às vezes, a decisão mais produtiva não é estudar mais, mas sim descansar.
É o tipo de informação que reforça como saúde e aprendizado são inseparáveis.
Conclusão: equilíbrio é estratégia
Conciliar estudos e saúde não é um luxo, mas uma estratégia inteligente. Alimentar-se bem, dormir adequadamente, praticar exercícios e cuidar da mente garantem não apenas bem-estar, mas também desempenho acadêmico superior.
Se você está prestes a enfrentar um vestibular, lembre-se: estudar faz parte, mas sem saúde o aprendizado não se sustenta. O verdadeiro segredo não está em virar noites ou se isolar do mundo, mas em equilibrar dedicação com autocuidado.
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